afilosofianaalcova

Saturday, December 04, 2004

de algumas coisas incompletas

Gritou tão alto que meus ouvidos não ouviram, ficaram surdos e meus olhos que já nem enxergam tanto assim, inundados de água e sal viam somente fragmentos de espaço e objetos em volta. Tão implacável era a sua voz que meu ser se diluía aos poucos, por dentro, triste, desolado e ao mesmo tempo tão absolutamente revoltado!
Esses dias têm sido poucos e incompletos, pedaços de dia e pedaços de noite onde meu ser não ser vagueia desconfortável. Tantas perguntas têm surgido e tanta ausência de resposta, tanta coisa sendo sem eu ser e entender o porquê, tantas minúcias que machucam e subvertem, tanta falta de espaço me corrompe. Me procuro nesse cenário e tenho dificuldade de me ver, parece um mundo não concebido para minha presença, penso em desistir, mas já caminhei algum caminho dos caminhos e penso no injusto do desistir, penso na insondável questão do amanhã em se saber o como teria sido, da minha maneira insisto. Embora ronde uma interpretação contrária, estou só, sou sozinha na minha forma de insistência e talvez nesse instante não esteja pronta para ser só, queria outras mãos desmistificando o caminho. Não se sabe bem o porquê de certas coisas, nem a razão de determinadas escolhas, de repente na imprecisão de um instante você se percebe num lugar onde não escolheu, numa vida que não é sua e num eu que não é você. Tantas perguntas que não são feitas, tantas histórias ficam pela metade e outras atravessam seu próprio espaço, não sei exatamente o que quero, tampouco sei o que pode se apresentar como correto, sou um retalho de sentidos e tanta insensatez sensível me perde, obscurece minha vista e atinge meu peito, sinto tanto que no tempo que me arrasta sem que me percebam outros olhos além dos que permito, choro. Copiosamente choro, lágrimas de quem sabe pouco e embora não consiga dizer quer sempre o que se faça mais leve para todos. Não irei abusar mais das palavras para dizer o que não sei como, também ando sabendo pouco de mim, sei que preciso decidir algo, alguma coisa que não se define claramente, sei que devo encontrar minha vida e romper mais um momento de história minha, sou jovem e me sinto tão cansada algumas vezes. Quando refaço minhas paisagens é que me canso mais e mais não sei como devo continuar, sinto-me a mesma criança de sete anos inventando estória para explicar o que não sabia, sinto-me a mesma criança frágil e forte querendo fugir ao preconceito naquela cidade tão pequena e tão curta de tolerância, sinto-me sozinha e diferente, querendo sempre a aceitação. Estou confusa e perdida, tão triste com rumos que acontecem, não sei bem sobre o que ainda, mas sei que preciso decidir, sei que preciso descobrir minha vida e assumi-la, mesmo que vá doer.

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