afilosofianaalcova

Sunday, October 10, 2004

Histórias curtas...

Fazia algum tempo que o observava, se esquecia às vezes tecendo os detalhes do seu corpo. Ela até ousava. Se permitia a ousadia do pensamento e mergulhava profundo no sentido da carne. De profundis. Como o título do poeta. Num primeiro momento até se sentia ruborizada, só no primeiro momento, depois passava e era só deleite na fantasia. Algum dia haveria de fazer alguma coisa, qualquer coisa, coisa louca. Mas de que serve estar no mundo sem a poesia da loucura? Loucura,bem poderia ser sinônimo de libertação. Pronto.
Ela, paciente, esperava seu correto instante inevitável inadiável seguro.
Se ela o fosse descrever, o pintaria como um movimento de vanguarda, palavras de ordem,o justo, o livre, liberdade. Importa a felicidade. Talvez esse aspecto a tenha motivado, de certo modo, somente de certo modo, ela vibrava pelo sexo mesmo, desejo de carne, corpo e mãos em transe.
foi num dia comum que ela resolveu se encantar, dia de conversa entre amigos, de trabalho preguiçoso, de vontade de mudar. Foi num átomo de instante que ela resolveu se encantar. Corredor em silêncio. somente seus passos pisando com força o soalho, logos depois o reconhecimento de outros passos, ritmados, com jeito.
Então, lá estava, seu objeto de desejo e mistério. nãorespirounempensounãotevetempoprapensar. Estava lá bocanaboca, língua, gosto e sofreguidão. Nem precisou o instante, tampouco contou o tempo, mas foi o necessário. Corpos separados, no olhar dele um misto de satisfação e receio. toque de medo.
- por que fez isso? não pareceu você, esse comportamento aqui no trabalho não tá certo.
Ela não disse palavra, fixou bem seus olhos,fez um sinal de negação e foi-se.
e viva a liberdade anunciada com a liberdade aprisionada...

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