afilosofianaalcova

Tuesday, August 24, 2004

devaneios e desencantos

A cabeça dele girava, eram tantas coisas em uma somente existência. De repente, a vida parecia não se conter em seu mundo ou seu mundo não estaria preparado para a vida. Isso, realmente, ele não sabia. Via e revia o avesso e revesso das coisas, das almas, dos pensamentos esquecidos, dos desejos escondidos, tanta coisa, tanta palavra posta, tanta ação morta, tanto tempo gasto. Ele levitava, se deixava esquecido num canto de lugar qualquer, só não esquecia o inesquecível, a pergunta secreta que sempre lhe arrepiava a alma.Não esquecia e esquecia o tempo. Depois lembrava e pensava que resposta consome tempo,consome,consome...mas não importa. Se ela for aparecer.É moeda versus moeda. Se sua cabeça encontrasse contentamento nisso, tudo seria tão fácil. Mas ele queria mais, queria verdades e mentiras postas, afiadas como facas ou leves como uma manhã de sol. Ele queria o inacessível, inacabado, o puro e o vulgar, o cume e o abismo. Algumas noites perdia o sono e vagava em sonhos, sonhos que nunca consegui adentrar, mas a palidez de seus olhos se fazia tão profunda e a razão lhe acercava, aí já não eram sonhos, nem saudades, nem dores secretas, era desfazimento. O lírico saía para a sobriedade dos pensamentos lúcidos, era jogo de causa e consequência, a simplicidade de um lógico que fala do ato depois de feito. Não era vida, nem sonho, nem ilusão, não era riso nem lágrima. Era só um existir. Agora tão sóbrio. Tão lógico. Descolorido. Branco no branco. Desencanto. E palavras sem som.

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