Monday, August 30, 2004
Caminhava no longo corredor da velha casa, um pouco absorta em pensamentos desvairados ou apaixonados, isso eu nunca saberei dizer. A pele era de uma brancura escandinava, o olhar luzidio deixava entrever um suave tom de melancolia. A menina era quase mulher. Sonhava. Algumas dúvidas pueris lhe assomavam à mente, pensava no amor e suas promessas e mergulhava na solidão dela mesma. Umas idéias de menina e um corpo de mulher, o cabelo de um negro ofuscante lhe caía, cobrindo de leve sua tez alva. Na sua ânsia de ser, seu peito queimava tentando adivinhar o amor que não teria e em outro instante indagava se teria, teria? Se ela soubesse quantos amores ainda haveriam de contemplá-la, se ela soubesse, se ela soubesse que de um canto o poeta a mirava, sussurando baixinho................:
Moça branca de neve, me leve...
Tuesday, August 24, 2004
devaneios e desencantos
A cabeça dele girava, eram tantas coisas em uma somente existência. De repente, a vida parecia não se conter em seu mundo ou seu mundo não estaria preparado para a vida. Isso, realmente, ele não sabia. Via e revia o avesso e revesso das coisas, das almas, dos pensamentos esquecidos, dos desejos escondidos, tanta coisa, tanta palavra posta, tanta ação morta, tanto tempo gasto. Ele levitava, se deixava esquecido num canto de lugar qualquer, só não esquecia o inesquecível, a pergunta secreta que sempre lhe arrepiava a alma.Não esquecia e esquecia o tempo. Depois lembrava e pensava que resposta consome tempo,consome,consome...mas não importa. Se ela for aparecer.É moeda versus moeda. Se sua cabeça encontrasse contentamento nisso, tudo seria tão fácil. Mas ele queria mais, queria verdades e mentiras postas, afiadas como facas ou leves como uma manhã de sol. Ele queria o inacessível, inacabado, o puro e o vulgar, o cume e o abismo. Algumas noites perdia o sono e vagava em sonhos, sonhos que nunca consegui adentrar, mas a palidez de seus olhos se fazia tão profunda e a razão lhe acercava, aí já não eram sonhos, nem saudades, nem dores secretas, era desfazimento. O lírico saía para a sobriedade dos pensamentos lúcidos, era jogo de causa e consequência, a simplicidade de um lógico que fala do ato depois de feito. Não era vida, nem sonho, nem ilusão, não era riso nem lágrima. Era só um existir. Agora tão sóbrio. Tão lógico. Descolorido. Branco no branco. Desencanto. E palavras sem som.
Monday, August 23, 2004
explicando meu título anterior
Bem, algumas pessoas leram e não entendederam a escolha do título: " começo". Minha breve explicação é a seguinte, a escolha foi bem subjetiva, pois adveio de um telefonema com Dolfo, onde ele disse que nunca tinha aparecido no meu blog. No momento, deveria ter dito que certamente ela estaria nas minhas linhas.Mas calei. Então,aí está minha explicação; esse foi apenas o "começo" do aparecimento de um nome que representa tanto pra mim, pois daquilo que posso afirmar, escrevo: Rodolfo Cabral, Rodolfo, Dolfo,Bad estará ainda por muitas vezes em meio às minhas palavras, assim como está no palco de minha vida e num reduto de meu coração.
beijo,meu amigo-sócio
Thursday, August 19, 2004
Começo
Não gosto dos comedidos, das pessoas de bom-senso, de quem calcula as horas de sono, de quem compra vinho pra beber em ocasião especial. Nunca gostei do meio termo, meio termo é descompromisso com a verdade, a virtude não está no meio ao contrário do que afirmou Aristóteles, virtude é sangue correndo nas veias. Eu nunca gostei de Aristóteles mesmo.
Gosto dos que sentem, quem grita, vira-noite,vira-mundo,bebe o vinho e joga a taça. Quem desconhece sentido no sentido, gosto de quem cultiva a loucura no mínimo de lucidez que apresenta. Gosto de gente como Rodolfo, de alma livre, que prefere as ondas do mar ao conforto da sala de televisão. Gosto de quem procura,mesmo sem saber o quê.
Eu detesto mesmo os comedidos, aqueles que pensam em tudo antes de fazer, aqueles que são os donos dos bons conselhos. Coitados dos comedidos, vivem tentando não errar e esquecem de aprender, coitados dos comedidos e suas roupas politicamente corretas, seu penteado perfeitamente quadrado e sua aparente falta de vícios, coitados deles que nunca aprenderão a amar. Também não sentirão o viver. Nascem mortos,antes da morte.
Gosto de quem tem vontade, quem canta, encanta,toca "viola", quem ri e chora, quem vive e faz viver. Gosto do meu amigo Rodolfo, pele bronzeada, fala atenta, brilho no olhar, bebendo sempre mais um gole ou outro de vida, buscando liberdade e ensinando amizade aqui, ali ou junto do mar.
Monday, August 16, 2004
Retalhos de histórias
Parou um instante, olhou o espaço em volta, sentiu vontade de viajar. Vontade de não estar ali.Ficou costurando conclusões e de repente chegou ao pensamento de que na vida se paga tudo que se erra e até o que se acerta. Acreditou que esse medo de pagar alimenta a intolerância ou arrogância, não sabia o que era ao certo. Mas, estava pensando nos mecanismos de defesa e foi desenrolando as consequências. Súbito pensou no muito que se perde ao se defender de tudo, mas também pensou no muito que se fere ao não se defender de nada. Três da tarde, sol entreaberto, muitas idéias e poucas novidades, um livro vermelho no canto da cama,convite.E assim Lia resolveu encerrar a tarde.
Friday, August 13, 2004
Monday, August 09, 2004
Reflexos
Pensei em muitos começos para meu desejo de escrever hoje. Findei por não me decidir por nada e começar jogando aberto ou seja, dizendo, simplesmente, não sei como começar hoje.
Posso ouvir algumas de suas frases ainda e confesso, abertamente confesso, não estava pronta para tais frases. Frases sem suavidade, frases pra te marcar...
" você não sabe ser feliz..."
Foram essas palavras desbotadas e cruas que ele pronunciou pra mim. Assim de repente, como de repente serpenteia um relâmpago no céu de estrelas, assim de repente meus ouvidos gravaram tal mensagem. De repente meu coração ficou tão lânguido, eu estou assim tão cheia de solidão que não me aguento em mim, estou tão farta de tristeza e agonia que não me suporto, tento me esconder no enlevo de pensamentos, mas tantas coisas foran ditas e eu só sei sentir, tão institivamente sentir ou tão ferozmente sentir. Um amigo disse ao telefone: - o pior é ficar remoendo as coisas...
Queria tanto ter essa capacidade racional e prática, não, eu não tenho e preciso aprender a ser feliz. Ah, meu amigo Eduardo, o que me devasta talvez seja não ter nascido sob teu signo. E fico imaginando minha capacidade ou incapacidade de ser feliz. Não sei ser feliz. O que será que sou? um alguém desumano ou alguém "demasiadamente humano". Quando saberei a resposta??? Eu acreditava que podia, sinceramente acreditava que poderia. Mas essa afirmação, vindo assim, de quem mais se ama, por quem mais se sente...muda tudo. A felicidade, neste momento, se tornou alguma coisa que eu desejaria comprar em cápsulas, dessa forma ficaria mais confiante de que poderia ter/ser felicidade. E aí quem sabe tu não me dirias frases mais doces ou nem mesmo me dissesse nada, somente mirasse assim os meus olhos e afagasse minha boca com a tua boca. Não sei se sabes o quanto importa para mim, acredito que tenhas esquecido. Ele disse que nunca estive com ele, nunca estive com ele de verdade, fico com o passado, com outras coisas, menos com ele. Logo eu que posso até me abandonar, mas nunca fico sem ele, sempre ele está comigo, porque sem ele não sou eu. E tanto deixei de amar por ele, tantas coisas, tantas canções de vida, deixei.Mas larguei tudo tão feliz, tão resoluta, deixei muitas coisas por aquilo mais precioso: amor. E amar dói. Cada vez mais acredito nessa verdade. Tentei remendar, achar as explicações, mostrar talvez que posso, que podemos a felicidade. Minhas palavras não tinham voz, estavam cheias de silêncios e meus ouvidos mais uma vez sentiram um som frio......................."sempre terá problemas, nunca vai está certo, isso é uma constatação".........................Já não sei o que fala em mim, nem sei se falo, nunca soube certo e errado, nunca soube o que calo e o que não calo. Agora sinto uma angústia, mas sinto também meu amor e posso dizer que até não saiba realmente ser feliz, mas como eu sei que posso amar, como sei o tanto que te amo. Te amo por tuas faltas, pela tua essência,por tua cabeça racional, te amo pelo que poderias ter sido e pelo que és, amo teu jeito. Nem sei mais o que escrever, as palavras me escapam, mas desde o início eu afirmei que não sabia. Não sabia nem mesmo começar por que haveria de saber terminar? Além do que, muito sinceramente, isso não tem fim, só tem vida. E meu amigo Beto cantou por mensagem escrita: "deixa o sono vir. A dor passa. A minha, a sua. Todas passam". A insônia não deu passagem ao sono, mas as dores, essas tantas e variadas dores nascem e morrem, é o que desejo acreditar agora.........e ele ligará amanhã, dando vida a tempo novo.
codinome beija-flor
pra que mentir, fingir que perdôou
tentar ficar amigos sem rancor
a emoção acabou, coincidência é o amor
a nossa música nunca mais tocou.
pra que usar de tanta educação
pra destilar terceiras intenções
desperdiçando meu mel
devarinho flor em flor
entre os meus inimigos
beija-flor
eu protegi teu nome por amor
em um codinome beija-flor
não responda nunca, meu amor
nunca
pra qualquer um na rua beija-flor
que só eu que podia
dentro da tua orelha fria
dizer segredos de liquidificador
você sonhava acordada
um jeito de não sentir dor
prendia o choro e aguava o bom do amor
Cazuza
Friday, August 06, 2004
De segredos e outras dúvidas mais
Ele falou de solidão...da solidão que ela possui. Confesso que no meu pensamento mesquinho, estreito mesmo, nunca havia pensado em sua solidão. Nunca tinha entrevisto sua solidão, mas ele empregou tal convicção nas palavras, que elas se tornaram mais que palavras, quase pude tocá-las. É. Ele é assim. Tão intenso, tanto para o menos como para o mais. Foi então que eu me pus a pensar...solidão. Teria mesmo, por entre aqueles olhos tão vivos, guarida a solidão e aquele sorriso intocado somente mascararia a suave melancolia do seu existir...fiquei pensando, pensando, estou pensando...tentando atingir o sentir. ...
Tuesday, August 03, 2004
de poder e poderes
O melhor dos poderes é CORROMPER, mudar, encantar e desencantar o mundo, desmistificar
fazer o fazer e se fazer, fazendo...corromper é construir,se é que me entendes
fazer o fazer e se fazer, fazendo...corromper é construir,se é que me entendes
Onde existo?
Onde existo,
que não existo em mim?
não me encontro em mim?
Em que palco deixei perdidas minhas ilusões
meus restos de essências
meus recortes de vida?
Minhas verdades e mentiras
Tantas contradições e desejos
onde existo?
que não me acho?
que não existo em mim?
não me encontro em mim?
Em que palco deixei perdidas minhas ilusões
meus restos de essências
meus recortes de vida?
Minhas verdades e mentiras
Tantas contradições e desejos
onde existo?
que não me acho?
Impressões sobre um querido amigo
Tenho segredos a esconder
algumas histórias a contar
e um medo torto de você ,esse medo me corta ,me maltrata a alma
como gostaria de adentrar teus pensamentos
percorrer teus mistérios
saber do teu choro,do teu riso
do que gostas realmente
ah,se tu soubesses como queria te encontrar
talvez me desses um pouco mais dos teus zelos
assim de mansinho,me permitisse, talvez...
mas como te escondes em tantos tus
como te dissipas pra fugir do eu
como persistes em teus erros...
e eu, bem, só faço insistir
acalento meu pranto na robustez de meu peito
me suporto na minha racionalidade
talvez haja um tempo novo
e meu sentir seja vertido em paixão,palavra e certeza...
Ao super-amigo Dudu Souza, e que ele me perdoe a ousadia
Você já pensou sobre o existir? Às vezes penso em não existir.....e você já pensou como seria? pode ser negatisvo sim,pode ser surto também.Tudo bem. Mas há tanto a se fazer e a existência tão tosca e mesquinha, deve ter sido esse o motivo de Sartre ter virado paradoxo...ele e seu existencialismo, o pior é que sou existencialista...
algumas histórias a contar
e um medo torto de você ,esse medo me corta ,me maltrata a alma
como gostaria de adentrar teus pensamentos
percorrer teus mistérios
saber do teu choro,do teu riso
do que gostas realmente
ah,se tu soubesses como queria te encontrar
talvez me desses um pouco mais dos teus zelos
assim de mansinho,me permitisse, talvez...
mas como te escondes em tantos tus
como te dissipas pra fugir do eu
como persistes em teus erros...
e eu, bem, só faço insistir
acalento meu pranto na robustez de meu peito
me suporto na minha racionalidade
talvez haja um tempo novo
e meu sentir seja vertido em paixão,palavra e certeza...
Ao super-amigo Dudu Souza, e que ele me perdoe a ousadia
Você já pensou sobre o existir? Às vezes penso em não existir.....e você já pensou como seria? pode ser negatisvo sim,pode ser surto também.Tudo bem. Mas há tanto a se fazer e a existência tão tosca e mesquinha, deve ter sido esse o motivo de Sartre ter virado paradoxo...ele e seu existencialismo, o pior é que sou existencialista...
Sunday, August 01, 2004
do existir,sem prolongamentos
Você já pensou sobre o existir?
Às vezes penso em não existir.....e você já pensou como seria?
pode ser negatisvo sim,pode ser surto também.Tudo bem. Mas há tanto a se fazer e a existência tão tosca e mesquinha, deve ter sido esse o motivo de Sartre ter virado paradoxo...ele e seu existencialismo, o pior é que sou existencialista...
Às vezes penso em não existir.....e você já pensou como seria?
pode ser negatisvo sim,pode ser surto também.Tudo bem. Mas há tanto a se fazer e a existência tão tosca e mesquinha, deve ter sido esse o motivo de Sartre ter virado paradoxo...ele e seu existencialismo, o pior é que sou existencialista...
do ocaso de um eu
meu deus de carne e sangue treme no
prelúdio da presença
minhas mãos trêmulas se prendem ao desejo
de uma visão
te invento em segredos
te tenho flor e espinho
te aguardo num vão de silêncio
te tenho pétala
prelúdio da presença
minhas mãos trêmulas se prendem ao desejo
de uma visão
te invento em segredos
te tenho flor e espinho
te aguardo num vão de silêncio
te tenho pétala
