afilosofianaalcova

Saturday, July 31, 2004

Algumas vezes,um gosto de pranto

Às vezes te detesto tanto, lamento tanto que até gostaria de não ter te conhecido jamais. Mas agora, agora já é tão tarde, embora não haja um rumo certo, existe um elo inexorável entre nós. Outra vezes penso que valeu muito, sem ti não conheceria eu, todos
os odores e sabores da vida, o desgosto, remorso, frustração, tédio, melancolia e a alegria tão sincera que jamais poderia ter provado, e o gosto do desejo latente em mim, escapando por minhas mãos, meus dedos, um desejo que me ultrapassa. Ah, o gosto doce-amargo do amor, estranho e infiel sentir. De certo só aquele alvoroço na alma. E você me olhava tão enigmático e tão revelador ao mesmo tempo. Estes teus olhos de noite, que ora quero fundir os meus, ora desejo não querer tê-los. Certa noite me falavas de como tu se sentias em casa comigo, e eu estava tão distante, tão maquinalmente distante que perdi o momento.E os instantes não voltam, é o fluxo sempiterno do tempo e dos dizeres. Sou tão frágil nas tuas palavras e tu pareces não perceber. E como te detesto por isso. Teu jeito concreto, tua racionalidade tão presente, teus cálculos, tuas razões tão sem poesia, teu jeito de como "convém ser", tão burguesamente odioso. E tenho raiva de mim, tão forte e frágil, caindo em abismos vez e outra, caindo em abismos sempre por ti. Será que as coisas podem ser mais simples,tuas mentiras,tuas mentiras são sempre punhais, teu passado é meu pesadelo. E eu não entendo por que adentro em teus olhos de noite, por que fico catando tua sensibilidade, por que invento tantas paixões, por que me prendo tanto? É tudo tão confuso, como uma moldura nua, oferecendo tantas possibilidades. Espero que eu te descubra, antes de faltar-me o fôlego, antes do anoitecer dos meus olhos...que eu te revele e te veja revestido em paixões,poesia,amor e sexo

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